Em Gaza, ele rejeitou o “Conselho de Paz” do Trump sem palestinos: sem palestino, “paz” vira reunião de condomínio decidindo obra sem avisar morador. Só que o Brasil cobra mesa inclusiva lá fora enquanto mantém Israel sem embaixador em Brasília desde agosto de 2025 por falta de agrément. Não é adjetivo: é cenário. A autoridade do convite depende de com quem você aceita conversar.

Lula confirmou viagem a Washington na primeira semana de março para falar “olho no olho” com Trump e disse que não haverá tabu, exceto soberania. Venezuela entra na pauta com a fórmula: quem resolve a Venezuela são os venezuelanos – isto é, vamos falar, mas ninguém me peça milagre.

No miolo doméstico, respondeu sobre Lulinha e fraudes no INSS com frase concreta: chamou o filho, olhou no olho e disse que, se tiver algo, paga; se não tiver, que se defenda. E amarrou ao argumento de que o escândalo veio à tona porque o governo investigou a engrenagem.

No Banco Master, tratou como rotina institucional: recebe banqueiros; a reunião com Daniel Vorcaro foi pedida por Guido Mantega; Vorcaro falou em perseguição; Lula disse que o governo não é “pró” nem “contra” banco e que apurações do BC são técnicas – com Galípolo e Rui Costa presentes. A política vive também da cronologia quando o assunto vira símbolo.

Fechou com 2026 na porta: acenou rearranjo de Alckmin e citou Pacheco para Minas. Não é anúncio; é tabuleiro em voz alta.

Dá para descrever sem bater nele e sem bater palma. E há o dado incômodo: o campo democrático-progressista não tem fila de substitutos competitivos no horizonte. Você critica o que vê, mas precisa lidar com o que existe – e com o que pode entrar se o que existe cair.

Julio Benchimol Pinto

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