
Apoio internacional
O Conselho de Segurança da ONU realizou ontem (5) uma reunião extraordinária para discutir o ataque militar dos Estados Unidos à Venezuela que resultou no sequestro do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores.
O representante permanente da Rússia na ONU, Vassily Nebenzya, afirmou que o verdadeiro objetivo da operação estadunidense é estabelecer controle sobre os recursos naturais da Venezuela, especialmente suas reservas de petróleo, as maiores do mundo. Segundo o diplomata, a ação revela o “cinismo sem precedentes” dos EUA e suas ambições hegemônicas na América Latina. Nebenzya reiterou a solidariedade de Moscou ao povo venezuelano e defendeu que os atos dos EUA sejam avaliados de forma objetiva e conforme o direito internacional, independentemente do reconhecimento da legitimidade do governo de Maduro por outros Estados.
Na mesma linha, o embaixador venezuelano na ONU, Samuel Moncada, exigiu a libertação imediata de Maduro e de sua esposa, a condenação clara do uso da força contra a Venezuela e a reafirmação do princípio de que nenhum país pode adquirir território ou recursos por meio da violência. Moncada alertou que a normalização de agressões militares desse tipo ameaça toda a ordem internacional e enfraquece a credibilidade da ONU.
Já o representante dos EUA, Mike Waltz, classificou a ofensiva como uma “operação policial bem-sucedida”, comparando-a à invasão do Panamá em 1989, e ignorou as críticas relacionadas ao direito internacional. A posição estadunidense foi duramente questionada por diversos membros do Conselho e por representantes da sociedade civil, como o economista Jeffrey Sachs, que destacou o histórico de intervenções ilegais dos EUA em outros países e alertou para as consequências globais de se permitir o uso da força como instrumento de imposição política e econômica.
Para Sachs, o que está em jogo não é apenas a soberania da Venezuela, mas a própria vigência da Carta das Nações Unidas e da paz internacional.
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Foto: AFPBrasil de Fato