Campus da Pontifícia Universidade Católica, Rua Monte Alegre, 984, Perdizes, São Paulo. Lá, se realizava o III Encontro Nacional dos Estudantes, com os Diretórios e Centros Acadêmicos de todo país, vinculados à UNE. Foi numa quinta-feira à noite, no dia 22 de setembro de 1977, que as tropas chegaram sob o comando do Secretário de Segurança Pública do Estado de São Paulo, Cor. Erasmo Dias. O governador era então Paulo Egydio Martins, um ser humano nefasto e serviçal assassino da ditadura militar. Um corre. Os soldados invadem as salas. Batem. Espancam. Cenas de horror. Gritos. Choros. Xingamentos. Resistência. Me senti perdido. De mãos dadas, em fila, centenas de nós. Fomos levados até um estacionamento. As horas passam rápido. Duchas fortes de água.Nas genitálias. Estava com uma camiseta com a clássica foto do Che Guevara estampada. Do Alberto Korda. O Coronel Erasmo Dias desfila como um buldogue. Olha. Me dá um tapa na cara. De manhã fui solto. Eu estava lá. Corta. Rede Bandeirantes de Televisão, Morumbi, São Paulo. Uma segunda-feira de 1984, 11:3Ohs. Programa feminino da Xênia, acabava com a Cozinha da Ofélia. Era editor-chefe do programa Esporte Total. Na saída do estúdio, dou de cara com o então deputado federal de Santos, Erasmo Dias. Cara a cara. Ele me reconhece, como repórter e apresentador. Se aproxima. Estende a mão num gesto de cumprimento: “Bom Dia, Gilson Ribeiro!”. Bom dia, deputado Erasmo Dias. ” Acompanho e gosto do seu trabalho”. Obrigado. ” Você precisa cobrir mais o meu clube, o Santos”. Admiro o Santos, vou quando acho importante e necessário”. “Então vá!”. Se fosse pelo senhor, nem estaria trabalhando no jornalismo. ” Como assim?”. Estava na invasão da PUC, quando o senhor comandou a invasão contra os estudantes. Ele me olhou sem ação. Numa tremida, de boca de buldogue, perguntou: ” É…continua comunista ou tomou juízo?”. Não preciso responder agora. Por sinal, agora eu que mando no jornal. Vou entrar no ar. Com licença. Não falei do tapa na cara. Não precisava. Eu tinha chegado lá. Na fé. Até. Saravá.

Gilson Ribeiro

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