
Ao longo da sua trajetória política, de forma inconteste admirável, o presidente Luís Ignácio Lula da Silva, conheceu algumas derrotas, mas nunca um revés, como o que vive neste momento. A diferença de votos foi mínima, como previsto pelos mais sérios institutos de pesquisa, levando-se em conta a margem de erro, claro, precisamente de 2.282.575 milhões de votos a mais para seu adversário Flávio Bolsonaro. Parece muito. Não é. Mesmo se fosse ao contrário. Pode ser revertida, mas terá que ser um trabalho árduo e extremamente bem planejado. Uma epifania a ser alcançada, que não permitirá idolatrias ou ilusões movidas por uma fé partidária cega demonstradas antes da campanha entrar na reta final da corrida. Não será fácil, embora o candidato da situação já tenha demonstrado lidar com momentos difíceis ao longo do seu percurso. O presidente Lula espera, com alguma lógica, que a situação de disputa no segundo turno possa, a partir de agora, trazer um confronto mais direto com Bolsonaro, onde prevaleça sua maior experiência, habilidade política e espaço para colocar programas e projetos de forma efetiva; que é zero por parte do seu adversário, a não ser tirar o seu papai, e outros que tramaram um golpe de estado da cadeia, minando com o tempo a democracia e a soberania do país. Ficou evidente, que o gado que criou o epônimo político de nome bolsonarismo, não se preocupa com denúncias de verbas mal explicadas, a relação promíscua com golpistas do mercado financeiro como o tal Daniel Vorcaro. A não ser se for com os adversários. Para muitos deles, o ardiloso gatuno, seria até mesmo admirável, inteligente e astuto. Um dia quero ser igual ao Vorcaro. Também denúncias de envolvimento com exterminadores e assassinos de milícias não se faz pernicioso e abominável. Apoiam. Mesmo aqueles que nutrem rejeição ao Lula e enumeram mentiras e fatos apócrifos, com certeza inabaláveis, que parece mais um caso de sociologia da formação de certas castas brasileiras ao longo da história, que negam, mas na verdade não se conformam de ver um nordestino de origem pobre no poder; da mesma maneira que não tem a coragem de dizer em público de como ainda enxergam negros e pessoas de diferentes gêneros. O tipo que entre amigos, no churrasco, ainda fala que se tais não cagam na entrada, cagam na saída e caem na gargalhada. Aqueles que sonegam imposto, compram ouro roubado, jóias de atravessadores, sem certificado legal, que dizem o Lula ladrão. O presidente, impossível não admitir, é um político inteligente e hábil. Já de instante, começou a campanha, falando em projetos, enquanto o outro só gargalhava, entre tapas nas costas e afagos. Depois para brindes e regabofes. Agora sim, como Luís Ignácio Lula da Silva já alertou, a mira será atrair parte do número absurdo e vultoso, daqueles desiludidos com tudo e todos, que se absteram de escolher. Além de se atentar em alguns estados com a possibilidade de surpreender e decidir, tal qual o estado de Minas Gerais, que mostrou um crescimento significativo na sua votação. Mostrar um plano de convencimento para sanear a dívida e déficit públicos. E trabalhar e torcer. Rezar para Nossa Senhora da Conceição de Aparecida ou vociferar contra a Rede Globo e a imprensa em geral, só isso não vai adiantar. Viva a Democracia. E nossa Soberania. Na fé. Até. Saravá.

Gilson Ribeiro