
Eleições 2026
Sempre existiu, quando se trata de disputas políticas, a busca pelo poder, e isso não é particular ao Brasil. Jogar sujo, muitos entendem, infelizmente, que é o melhor atalho para a vitória. Nessas ocasiões sempre me recordo do romance ” Quincas Borba”, de Machado de Assis. No capítulo XXI, o personagem do título assim filosofa numa conversa com Rubião, sobre a gênese da política: ” Ah! meu caro Rubião, isto de política pode ser comparado à paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo; não falta nada, nem o discípulo que nega, nem o discípulo que vende. Coroas de espinhos, bofetadas, madeiro, e afinal morre-se na cruz das idéias, pregado pelos cravos da inveja, da calúnia”. No entanto, se sempre foi assim, nos tempos de agora, da internet, plataformas, sites e, principalmente, redes sociais, o cenário se tornou um festival de desmandos chulos, pensamentos tortos, boatos, notícias falsas, uma chacrinha rastaquera. Isso posto e somado, as campanhas dessas eleições começam a se tornar insuportáveis. Tudo em excesso, até baixaria, anestesia, se torna um tédio. Importante, claro, o eleitor saber em quem está votando, ainda que pareça, que já criaram um grau de tolerância para as falcatruas e para o lodo da imoralidade. De tanta. De tantos. Quem sempre se dizia ateu, prega a Padroeira. Quem apoia pastores evangélicos larápios se benze ao passar defronte uma igreja católica, internautas colocam Nossa Senhora da Conceição Aparecida em todas as situações possíveis com a IA. Um fedelho repugnante distorce e busca uma ilação torpe para uma declaração do Presidente da República. Uma guerra de togas sujas no STF. Uma festa de dar de ombros e ligações sem escrúpulos de senadores e deputados federais. O ladrão estoura rojão. O gado nefasto come o mato do seu pasto. O cipó no lombo do chamado povão. Sim, muitos cidadãos estão cansados e descrentes de tudo e todos. Mas dizem que tem que existir uma revolta contra o sistema. Balela. Um artifício para que se construa uma futura ditadura. Os golpistas que foram punidos estarão de volta. E no poder. O candidato Flávio Bolsonaro foi escolhido apenas como instrumento para recolocar todos de volta. Não vai governar nada. E isso teria que ser explicado para muitos que não sabem o que fazer. Não. De Santa aos Diabos a Quatro. Denúncias por parte até mesmo da militância de esquerda com tons moralistas e banais. A artilharia voltada contra a imprensa. Oras, muita ingenuidade não saber que os donos da mídia sempre foram assim. Alguns trabalharam em vários veículos. E, convenhamos, a imprensa se um dia foi o quinto poder, há muito deixou de ser. Não influencia mais bulhufas. Jornal, TV Globo, a grande maioria nem lê ou vê mais. Qualquer desqualificado que se intitula formador de opinião, qualquer Tim Tok ou Instagram consegue mais alcance, com mais idiotas que se fiam. E dá-lhe uísque, charutos, cafonálias, orgias, garotas de programa, santas, Cristo! E nada de perguntar ou expor projetos e…programas. Deveriam fazer o que chamam de “pool”, já que a TV Globo é tão nefasta e decisiva a favor da oposição, já que o Lula não estará, e convidar aquelas figuras de programas de fofoca, pseudas celebridades, o tal de Léo Dias ( isso?) e a decana Sônia Abrão para ser o casal de mediadores. O voto em Luís Ignácio Lula da Silva, no caso, ultrapassa o conceito de voto útil, se faz um voto necessário. Para a manutenção da soberania e do estado democrático. Isso é fato. Deixo aqui meu desabafo. Bora? Fica, Lula! Na fé. Até. Saravá.

Gilson Ribeiro