
Flávio Dino fez uma intervenção de enorme peso institucional no Supremo. Com firmeza e precisão, lembrou que o STF é um tribunal de iguais e que a presidência da Corte não transforma um ministro em superior hierárquico dos demais. Para Dino, cada relator precisa ter sua competência respeitada, porque alterar essa lógica significaria abrir um precedente perigoso dentro da própria instituição.
O ministro foi além e tocou no ponto mais sensível: não se está no Supremo para buscar aplausos, popularidade ou construir biografia. Está-se ali para fazer justiça. Essa postura revela a densidade intelectual de Dino e sua capacidade de enxergar não apenas a disputa do momento, mas as consequências que uma decisão pode deixar para o futuro da República.
Quando ele alerta que permitir a avocação poderia abrir uma “avenida para o autoritarismo, o despotismo e a tirania”, Dino está fazendo algo que poucos conseguem fazer sob tamanha pressão: defender uma regra pensando no amanhã, e não apenas no conflito de hoje. É justamente por isso que sua fala merece atenção. Flávio Dino não levantou apenas uma questão jurídica. Ele deu uma verdadeira aula sobre os limites do poder.
