O Festival de Cinema de Veneza foi marcado por uma exibição que foi muito além de um simples filme. “Naza”, documentário dos cineastas israelenses Yuval Abraham e Rachel Szor, levou ao coração do festival uma investigação sobre as práticas militares empregadas durante a ofensiva israelense em Gaza.

Paco Hernandez

O filme, o único documentário entre as 21 produções que concorrem ao Leão de Ouro, reúne depoimentos anônimos de 24 integrantes de unidades de elite israelenses, que descrevem sistemas tecnológicos utilizados para identificar alvos e calcular possíveis vítimas civis.

O próprio título é impactante: “Naza” seria um termo utilizado dentro do aparato de inteligência militar israelense para se referir ao cálculo de danos colaterais.

Os realizadores afirmam que sua investigação buscou algo mais profundo do que apontar indivíduos: mostrar como determinadas decisões podem se transformar em procedimentos burocráticos, nos quais vidas humanas acabam reduzidas a números.

O filme também propõe uma reflexão sobre a desumanização e evoca as ideias de Hannah Arendt e Primo Levi.

Abraham, descendente de sobreviventes do Holocausto, defendeu que a memória da Shoah não deve ser usada para justificar o sofrimento de civis palestinos.

Um filme, sim. Mas também uma pergunta que incomoda:

o que acontece quando a tecnologia avança mais rápido do que a consciência humana?

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El Charro Político

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