Opinião

Vamos falar com todas as letras: o que André Mendonça fez foi o prolongamento da tentativa de golpe de Estado que a extrema-direita vem tentando desde que Bolsonaro ganhou as eleições.

A aposta, desta vez, foi a seguinte: Mendonça expõe apenas Alexandre de Moraes numa ação eleitoreira e parcial, que ele sabia ser ilegal, para favorecer Flávio Bolsonaro. Mendonça tinha consciência de que não conseguiria o apoio necessário para tornar públicas essas informações, pelo menos não antes das eleições, que era o prazo que ele queria, para dar munição à Flávio.

O vazamento tinha um timing “perfeito”: ele vazava, Flávio Bolsonaro pedia o impeachment com seus asseclas, a imprensa burguesa falaria disso incansavelmente, como fez com a Lava-Jato e, com sorte, a situação ficaria insustentável.

A partir daí, ele conseguiria uma renúncia, um impeachment e, no futuro, a anulação das ações de Moraes que livraria todo mundo. O castelo ruiria livrando Bolsonaro.

O que ele não contava era que hoje estamos vacinados pelo que Sérgio Moro fez. Em menos de 24 horas, já encontramos as ações do próprio Mendonça fazendo igual ou pior do que Alexandre de Moraes.

Como Mendonça precisou fazer um recorte absurdo para atingir só Moraes, quando a imprensa abriu a lente, logo encontrou ele próprio ali do lado, fazendo aliança e protegendo Vorcaro, igualzinho Moraes estava fazendo. E pelo visto, Vorcaro estava cercado de gente tentando protegê-lo, né?

Essas investigações precisam continuar no ritmo da PF, com o apoio da PGR e sem a relatoria de Mendonça, o que parece evidente. E tudo isso longe dos dedos das eleições. Tudo o que a gente não precisa é de um juizeco tentando se meter de novo no processo eleitoral brasileiro.

Nota

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