Por Julio Benchimol Pinto

Eduardo Cunha conseguiu inventar uma modalidade empresarial fascinante: é dono das rádios quando fala ao microfone e deixa de ser quando alguém abre o CNPJ.

A Rede 89 Maravilha cresce por Minas. Cunha anuncia aquisições, fala das emissoras como suas, explica a expansão do grupo.

Só há um inconveniente burocrático: várias delas aparecem formalmente em nome de parentes ou terceiros.

Até aí, pode haver explicação perfeitamente legal. O problema é que Cunha também reaparece em outra ponta do mapa: a PF identificou cerca de R$ 6,1 milhões em emendas articuladas por ele para municípios mineiros, embora esteja sem mandato. E algumas dessas cidades coincidem com localidades onde sua rede radiofônica se expande.

Não há prova, até aqui, de que dinheiro de emenda tenha comprado rádio. Há, porém, perguntas suficientes para montar uma emissora inteira.

E então surge a cereja eleitoral: a rede chama-se 89 Maravilha. O número de Cunha para deputado? 1089.

Pode ser coincidência. Assim como pode ser coincidência um sujeito anunciar que comprou uma rádio que, juridicamente, continua pertencendo a outra pessoa.

Rádio, convém lembrar, não é banca de pastel. É concessão pública e instrumento poderoso de formação da opinião política.

Por isso a pergunta é simples: quem é, afinal, o verdadeiro dono desse dial?

Porque Eduardo Cunha parece ter descoberto o empreendimento perfeito: a propriedade quântica.

A rádio é dele quando convém. Quando chega o CNPJ, colapsa a função de onda.

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Miguel Baia bargas

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