

Aos dezessete anos de idade, lá pelo ano de 1974, que pensei pela primeira vez em escolher a profissão de jornalista. Mas sabia, que naqueles tempos de Ditadura Militar, não era uma escolha das mais tentadoras. E lá vinham as dúvidas e a angústia que assola todo jovem estudante nessa hora, em optar pelos caminhos futuros. Mas desde muito antes, meu pai comprava ou assinava muitas publicações, gostava de saber os nomes dos jornalistas que faziam a imprensa na época: revista Realidade, Manchete, Placar, O Cruzeiro, Fatos e Fotos. Folheava até mesmo as da minha mãe e irmã: Cláudia e Intervalo. Depois vieram os chamados nanicos, imprensa alternativa, da resistência. Também me interessava, lia quando podia, diários como o Estado de São Paulo, Folha da Tarde, Gazeta Esportiva, Folha de São Paulo, Diário da Noite, Última Hora. E claro, os locais, Diário de Bauru e Jornal da Cidade. E muitos nomes do expediente gravava. Alguns eram meus exemplos. Nomes que marcaram minha geração, como Samuel Wainer, Sérgio de Souza, Janio de Freitas, Osvaldo Peralva, Odylo Costa Filho, Alberto Dines, Mino Carta, Cláudio Abramo. Além de Evandro Carlos de Andrade no “O Globo”. Gostassem deles ou não, entraram para a galeria da história da imprensa no Brasil. O escritor Nelson Werneck Sodré, que publicou a obra ” História da Imprensa no Brasil” em 1966, se vivo estivesse, numa outra ampliada e atualizada edição, certamente os incluiria. Pois nesta data, 31 de julho de 2026, ano de eleições para Presidente da República, tive uma das maiores surpresas da minha vida de jornalista, ao constatar que os três mais importantes jornais diários do país, foram para as bancas, casas, condomínios, internet ou o diabo à quatro, literalmente, com a mesma manchete, título na primeira página, ou o diabo de quatro que valha. Um marco na história da imprensa nacional. Um ineditismo capaz de deixar abismada até mesmo a Inteligência Artificial. Nada parecido até então, mesmo com agências oficiais de notícias, nichos tendenciosos, press-release ou de quatro o diabo. Pois penso que os nomes dos responsáveis, pois o cargo que ocupam, de diretores de redação dos respectivos veículos, impele a considerar assim, terão que ser citados: Sérgio D’Ávila (Folha de São Paulo), Alan Gripp ( O Globo) e Leonardo Mendes Junior( O Estado de S.Paulo). Seus nomes devem entrar para a história do jornalismo brasileiro também, no revés da galeria, ou no rabo dela. Ah, estava me esquecendo: ou os diabos de quatro ou cousa que não valha. Na fé. Até. Saravá.



Gilson Ribeiro