E talvez, depois dele, nunca o jazz fosse o mesmo: Louis Daniel Armstrong. Foi numa miserável rua de New Orleans, 4 de julho de 1900, que veio ao mundo. Seu pai William, pouco depois abandonou sua mãe, Mary Albert, que o entregou para seus tios e avós, para ganhar a vida como prostituta. Quando menino, sapateiro e entregador de jornal, vivendo pelas festivas ruas, se apaixonou pela música. Um dia lhe puseram um revólver na mão. Eram festejos de Ano Novo. Ele não atirou em ninguém, e sim saiu atirando para cima, no compasso de uma banda. Acabou sendo preso e colocado num reformatório, Waifs’ Home. Assim entrou o ano de 1913, e assim acabou na banda da escola. Anos depois, conseguiu comprar seu primeiro trompete, com o dinheiro emprestado de uma família russo-judaica de nome Karnofskys, que passou a ajudá-lo. Daí, durante toda sua vida, tenha levado no peito uma estrela de David. Começou a tocar em bordéis e cassinos do bairro mais perigoso de Nova Orleans, Storyville, que logo foi evacuado pelo Comando da Marinha em 1917. Foi quando foi tentar a vida em Chicago, onde foi chamado por King Oliver, impressionado com seu talento, com sua corneta inseparável. E assim começou aquele que se tornou um dos maiores trompetistas da história da música. Rodou pelo mundo, foi aclamado nos mais renomados teatros, casas de show, pelo mundo afora, principalmente em Paris, é claro. Teve participações marcantes depois, já famoso, em vários filmes de Hollywood, inclusive no clássico “Alta Sociedade” do diretor Charles Walter, ao lado de Grace Kelly, Frank Sinatra e Bing Crosby. Com a trilha de Cole Porter. Já era uma lenda. Pois algumas de suas gravações se tornaram referências para o jazz moderno, como “Sol Blues” de 1927, no solo final dele e do clarinetista Jonny Dodds. E a mais famosa: ” West End Blues”. Mas foi entre 1956 e 1957 que gravou álbuns que o tornaram definitivamente uma estrela e visto como uma grande personalidade mundial. Como vocalista, com sua voz rouca, também fez história. Sendo conhecido por várias gerações, mais jovens, depois da famosa canção “What Wonderful Word” ter sido usada no filme ” Good Morning, Vietnã” , do cineasta Barry Levinson, com o ator Robin Willians no papel de um DJ num acampamento de batalha em Saigon. Seu apelido eterno foi Satchmo, uma derivação da palavra “satchelmouth”, boca larga, ou mais pejorativamente, ” “boca de saco”. É…ao lado dele, muitos pareçam um bando de gatos em sacos pingados. Na fé. Até. Saravá.

Gilson Ribeiro

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